A Medicina Hospitalar presente em uma das mais importantes operadoras de saúde do país

Por Viviane Dreher/Imprensa EH
Em entrevista com o diretor de Gestão da Prevent Senior, o médico Sérgio da Silveira Jr., entenda como a atuação dos hospitalistas reflete no bom desempenho hospitalar da rede

Há mais de cinco anos, a Medicina Hospitalar tem lugar de destaque na rede da maior operadora de saúde do país em vendas de planos individuais. Hoje, a Prevent Senior — pioneira no serviços voltados aos pacientes idosos e com mais de 450 mil clientes — conta com 29 médicos hospitalistas, que atuam ao lado de profissionais da enfermagem para garantir melhores resultados clínico e operacionais.

De acordo com o médico Sérgio Antonio Dias da Silveira Jr., diretor de Gestão da Prevent Senior*, a especialidade tem sido muito importante para garantir melhores resultados ao pacientes e à instituição. “Nosso tempo de permanência médica, levando a rede como um tudo, está na casa dos 3,9 dias, o que é muito baixo para essa faixa etária”, destaca Sérgio, que também é mestre em administração de empresas.

Confira a entrevista!

*A Prevent Senior está localizada na cidade de São Paulo e possui 51 unidades próprias, compostas pelos Hospitais e Prontos-Atendimentos Sancta Maggiore, Núcleos de Medicina Avançada e Diagnóstica e Núcleos especializados em Cardiologia, Dermatologia, Oftalmologia, Oncologia, Ortopedia / Traumatologia e Reabilitação.

 

Eficiência Hospitalista – Como vê a progressão do modelo de Medicina Hospitalar aplicado nos hospitais públicos do Brasil ? E na rede privada?

Sérgio da Silveira Jr. – Eu penso que a progressão do modelo de Medicina Hospitalar, em nível de país como o Brasil, vem avançando a passos largos. É óbvio que existe uma disparidade regional dentro do nosso país, que tem uma dimensão continental, com regiões em que esse avanço é mais evidente e menos intenso em outras. O mesmo se aplica às vertentes de operação hospitalar pública e privada. De um modo geral, a gente percebe um avanço da especialidade, uma busca por aperfeiçoamento a cada dia mais intensa desses colegas que atuam na função de hospitalista. Essa consolidação de mercado e da especialidade, aparentemente, ocorre em um nível um pouco mais acentuado nos hospitais privados, pois esses já entenderam que a Medicina Hospitalar traz resultados interessantes para a atenção ao paciente e também para a operação hospitalar, como um todo. Mas é inegável que em algumas ações, como por exemplo as tomadas pela Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo, que está fazendo um curso de formação geral para os hospitalistas, e também algumas unidades no Rio Grande do Sul com hospitalistas no serviço público, a gente nota um empenho do setor público em levar a especialidade para frente. Então, eu vejo que a progressão é muito boa, com um futuro extremamente grande. É uma especialidade médica em consolidação e os colegas que se empenharem cada dia mais para obterem uma certificação, um aprimoramento nessa área, têm um grande espaço de mercado e um ótimo caminho pela frente.

EH – Quais os desafios da Medicina Hospitalar na saúde suplementar?

SDJ – Eu entendo que, de uma forma geral, o principal desafio é a função do médico hospitalista deixar de ser considerada como um “bico”, algo que ele vá atuar, pontualmente, em um dia da semana. Ela precisa passar a ser enxergada com uma especialidade, fazendo com que os hospitais componham as suas equipes de uma forma mais estruturada, com a atenção voltada a essa área. É óbvio que, num primeiro momento, por ser uma especialidade ainda em formação no nosso país, nós teremos diferentes tipos de especialistas assumindo essa dianteira. Existem inúmeros casos, de nefrologistas, cardiologistas e até colegas da Medicina Intensiva que passara a atuar, exclusivamente, no âmbito da Medicina Hospitalar. Então, a saúde suplementar precisa entender que esse modelo de atenção horizontal, no qual o paciente é visto de forma integral por um membro ou por uma equipe, traz resultados extremamente benéficos, tanto do ponto de vista clínico como do operacional e de gestão. Existem diversos trabalhos que mostram que o desempenho clínico dos pacientes assistidos por profissionais que atuam como médicos hospitalistas é extremamente superior ao daqueles que são atendidos por profissionais não voltados a esse área. Essas publicações apontam que o tempo de permanência desses pacientes nas unidades hospitalares também é menor. Ou seja, aqueles pacientes que são atendidos pelos médicos hospitalistas melhoram a suas condições clínicas, o que aumenta o giro de leitos. Isso, para a saúde suplementar é algo fundamental, pois temos que levar em consideração que as principais empresas que apresentam resultado efetivo, do ponto de vista financeiro, são aquelas que verticalizaram o seu sistema, que atuam de uma forma estruturada, garantido ao atendimento do seu usuário equipes em serviços próprios. À medida que a saúde suplementar enxergar que a consolidação de um modelo pode existir não na verticalização estrutural, mas, sim, na verticalização de um processo, ela vai ver que tem muito a ganhar ao ampliar a atuação dos médicos com formação em Medicina Hospitalar, dentro das suas redes de atenção.

“A Medicina Hospitalar é uma especialidade médica em consolidação”

EH – Como vê o pagamento por performance aos hospitalistas?

SDJ – Sou extremamente favorável para qualquer tipo de área. Especificamente, em Medicina Hospitalar, acho extremamente interessante ter um modelo de remuneração mista, no qual o médico tenha uma padrão adequado de pagamento de honorários e esses vencimentos serem atrelados à performance. Isso acaba com algum tipo de viés que o profissional médico pode ter no seu dia a dia. Vejo imensamente válido que você defina, logo na entrada do seu serviço, que o médico vai se avaliado mensalmente, de acordo com a sua performance de resultados e desfecho clínico, e que ele pode receber uma complementação mensal no seu salário ou ter um bônus no final do ano, seja na forma financeira exclusiva ou na forma de incentivo à formação. Acredito que isso deveria ser mais aplicado.

EH – Qual a experiência da Prevent com os médicos hospitalistas?

SDJ – A Prevent Sênior trabalha com equipes dedicadas de médicos especialistas já há alguns anos. Temos uma característica diferente de alguns lugares, pois trabalhamos com fidelização de corpo clínico. Então, o meu médico hospitalista é sempre o mesmo, naquela unidade específica hospitalar. Eu tenho uma equipe que trabalha de segunda à sexta-feira, em caráter de dedicação exclusiva, dentro das nossas unidades. Esse médico tem uma função de não somente prestar o atendimento aos pacientes internados. Aqui, eu abro uma parênteses em que todos os pacientes dos nossos hospitais são internados para a equipe de médicos hospitalistas, o que facilita o nosso modelo de atenção clínica. Essa equipe dedicada, que hoje conta não só com médico, mas também com enfermeiro, acaba mantendo uma linearidade de conduta clínica muito importante para o nosso desempenho hospitalar. O perfil de população que atendemos é sui generis, pois trabalhamos somente com idosos e a nossa faixa etária média dos pacientes internados é de 75 anos de idade. Ou seja, é uma população que, historicamente, tem um tempo de permanência extremamente alto, com um desempenho de desfecho clínico ruim. Mas, com a estruturação dessa equipe de médicos hospitalistas, temos conseguido desempenhos hospitalares muito interessantes, ao longo dos últimos cinco anos. Nosso tempo de permanência médica, levando a rede como um tudo, hospitais clínicos e cirúrgicos, está na casa dos 3,9 dias, o que é muito baixo para essa faixa etária. A nossa mortalidade hospitalar também é baixa para o perfil e não chega a 7,5%, além de que a nossa reinternação é mais baixa ainda, na ordem de 6,5%. Claro que existe toda uma reestruturação para isso acontecer e parte disso tem muita relação com os nossos médicos hospitalistas, o que traduz ótimos resultados. Isso não só do ponto de vista clínico, mas, também, do comanejo. Temos equipes dedicadas ao atendimento conjunto com as equipes cirúrgicas, o que trouxe para a nossa rotina uma melhora de performance, uma redução do tempo de permanência e de internação, além de uma otimização dos recursos intra-hospitalares de uma forma mais eficiente do que aquela voltada às equipes de cirurgia. Então, os resultados da nossa operação hospitalar, que é totalmente dependente das nossas equipes de médicos hospitalistas, são extremamente relevantes, devido a base que a Medicina Hospitalar traz pro nosso dia a dia.

EH – Como é a formação dos residentes e Medicina Hospitalar nas unidades da Prevent Sênior e se há um plano de implementar o treinamento?

SDJ – A Prevent Sênior tem um total de 20 vagas na residência de Clínica Médica, sendo 10 vagas para R1 e 10 vagas para R2. Esses residentes passam pelos estágios hospitalares, junto com os nossos hospitalistas clínicos. Temos uma visão abrangente do sistema e o objetivo desses dois primeiros anos não é realizar uma formação específica em Medicina Hospitalar, mas proporcionar a esses residentes uma visão global sobra a importância que ela tem dentro da nossa rede e, até mesmo, no dia a dia dos hospitais brasileiros. Está em nosso road map, em nosso radar, a estruturação de um programa de R3 em Medicina Hospitalar, a ser iniciado em 2021. Estamos somente buscando algumas parcerias em alguns centros americanos e europeus, para que esse médico fique um período fora do país para adquirir experiência na área e, posteriormente, vamos ver como fica essa condição junto ao Ministério da Educação. Nosso objetivo sempre foi fazer a formação de médicos hospitalistas dentro da nossa rede, sendo que, nesse ano, acaba a primeira turma de residência e já temos um residente que tem todo o interesse e intenção de fazer um R3 ou buscar um fellow no exterior. Então, os residentes atuam em nossa rede, em nível de residência de Clínica Geral, mas o programa específico em Medicina Hospitalar ainda não foi formado, pois está em vias de formatação e essa condição é inevitável nos próximos anos. É preciso deixar bem claro que, quando criamos a residência em Clínica Médica e os outros programas que temos dentro da operadora, nunca foi nossa intenção buscar mão de obra barata, mas, sim, oferece ao médico recém formado um tipo diferente de formação e de estrutura para que ele trabalhe. E temos tido resultados bem interessantes, no tocante à formação médica, em geral.

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